Conteúdo criado com IA ou com IE?
Episódio 7
Artificial
PALAVRA QUE TEM INUNDADO O MEU E O NOSSO UNIVERSO
Não há dia em que não esteja no vocabulário, por qualquer coisa nova que não fazia e agora já faz.
É algo contra o qual não podemos lutar, não podemos travar, com a esperança de que seja uma onda grande que passa e não volta. Veio para ficar.
Quem tem medo do lobo mau?
Sou capaz de lhe reconhecer benefícios associados à sua gigantesca capacidade de compilar, comparar, triar, tratar, resumir, analisar, criar e adaptar informação, bem como aos efeitos que impactam na optimização de tempo e recursos, gerando maior eficiência. Sou capaz de reconhecer estas e centenas de outras vantagens que certamente terá. Sou.
No entanto, para mim, não deixa de ser assustadora.
Assusta-me este mundo em que já vamos tendo dificuldade em saber o que é ou não real. O que é verdadeiramente verdadeiro.
Assusta-me a possibilidade de manipulação e instrumentalização, capaz de gerar maiores desequilíbrios e desigualdades.
Assusta-me que possa moldar as nossas formas de pensar, de agir, de criar, de sentir e de nos relacionarmos.
Assusta-me que nos torne preguiçosos, incapazes de pensar sobre um assunto, de expressar uma opinião própria e não debitada por um ou outro chat, de ter espírito crítico, de ter curiosidade e de nos interrogarmos, de criar, de inovar, de decidirmos por nós próprios, de tentar, de falhar, de voltar a tentar e de acertar.
Assusta-me deixar de ter o manual, o artesanal, o manuscrito, o imperfeito, o assimétrico, o que não descarta a beleza que podemos encontrar no erro que nos torna humanos, feitos de emoção e sentimentos.
Assusta-me pensar como será o desenho, a pintura, o cinema, a música, a escrita, a poesia e todas as mil formas de arte feitas pelo Homem quando já não forem suas.
Não queria mesmo nada ter de abdicar de tudo isso. Queria guardá-los, não como uma recordação ou uma memória distante, gostaria de os manter vivos, de apreciar a sua beleza genuína, de os saborear, de os mostrar a quem vem a seguir.
A E I O U
Sabes que começou no A, A A A, a seguir vem o E, E, E, E , Inteligente é com o I, I, I, I, o U depois do O, faz o AEIOU. Desculpem, não resisti a citar a grande poetisa do cancioneiro popular na sua infância.
O adjectivo artificial faz-se hoje acompanhar frequentemente do “I” de inteligência.
Existem diversas formas de definir inteligência, esta poderá ser uma delas: capacidade cognitiva raciocinar, compreender ideias, pensar de forma abstrata, aprender, compreender, raciocinar, planear e resolver problemas.
Sim, parece que estes sistemas são capazes de simular, revelar e aprender capacidades cognitivas semelhantes às dos humanos, cada vez mais complexas e de forma cada vez mais independente.
No entanto, e continuando nas vogais, parece-me que a artificial tem ainda um caminho a percorrer até chegar à letra “E”, de inteligência emocional. Esta poderá definir-se assim: capacidade de reconhecer, compreender e gerir as próprias emoções e as dos outros, agindo de forma adequada em diferentes situações.
A empatia é uma das dimensões que mais tenho dificuldade em considerar que seja alcançada por estes sistemas: ter a percepção do que o outro sente, ver a sua perspectiva e ser capaz de se imaginar no seu lugar, estabelecendo uma sintonia e cultivando laços através da escuta, da presença e das emoções.
As versões têm vindo a aprimorar-se e a procurar aproximar-se, cada vez mais do sentir humano, ainda assim, a interação entre duas ou mais pessoas não consegue ainda ser substituída, é sempre marcada de artificialidade como revela o seu adjectivo primordial.
Tempos Modernos
Viajo no tempo até à era em que as máquinas vieram substituir as mãos do Homem, impactando na configuração do trabalho e dos empregos como se conheciam até então.
Surgem imediatamente na minha mente as imagens que temos gravadas nos ecrãs da nossa memória, com o Charlie Chaplin a ser devorado por uma máquina, em completa alienação e apertando parafusos freneticamente em tudo o que era lugar.
Vivemos agora numa nova era de profunda transformação neste âmbito, com a chegada e proliferação da IA. Há muitas actividades que se tornaram já obsoletas e muitas outras que vão ainda desaparecer ou sofrer mutações profundas.
Os nossos filhos provavelmente terão profissões que serão desempenhadas de forma completamente diferente da que hoje conhecemos, ou que não existem ainda. Há um novo mundo a desbravar, num futuro que começa já neste presente, ditado pelo tempo que não tem tempo de perguntar ao tempo quanto tempo o tempo tem.
A urgência, a rapidez, o imediato. ASAP, para ontem, o mais brevemente possível. Porque é que o mundo tem de girar a uma velocidade que não é a sua? (Como nos anúncios dos medicamentos). Não há tempo a perder, porque tempo é dinheiro e dinheiro é o que o faz mover. Pelos vistos em velocidade x2.
Os dias que a Terra demora a dar a volta ao Sol são os mesmos, as horas que demora a girar sobre si mesma também se mantêm. As estações, meio baralhadas com as alterações climáticas, já não duram exactamente o que duravam, mas há beleza maior do que assistir a algo surgir no seu tempo certo? Com o vagar para florescer quando é chegado o seu momento.
Gostava que este novo tempo soubesse beber do que estas novas inteligências têm para melhorar as nossas vidas, mas gostava também que soubesse preservar o verdadeiro, o autêntico, o humano, que tem tempo e liberdade para pensar, reflectir, criar e construir por si. Com o seu tempo. No seu tempo.